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Motor total flex, sim ou não?

Já faz nove anos que temos carros flexíveis no nosso país (o primeiro foi o Gol 1.6 Total Flex) e mesmo assim há muitas dúvidas em torno deste tipo de motor, suas características e, principalmente, sobre qual combustível é melhor pra ele a longo prazo.

O que ele tem de diferente?

Basicamente o chamado “motor flex” nada mais é que um motor que já existe com mais sensores e sistema de injeção e ignição que se adaptam a cada tipo de combustível e em alguns houve alterações no cabeçote e pistões, de forma a aumentar a taxa de compressão e ser mais eficiente, principalmente no etanol. Além disso, na maioria deles há um “tanquinho” de gasolina para partidas a frio, quando abastecido com etanol.

Devo usar somente álcool/etanol ou gasolina?

Não. Pode-se usar misturas de ambos em qualquer proporção. Os fabricantes recomendam que, para melhor rendimento (custo por quilômetro), busque usar somente um ou outro. A mistura não causa problemas mecânicos, mas manter um só combustível sem alternar pode, como veremos adiante.

Como saber se vale a pena abastecer com etanol ou gasolina?

Repetida como um mantra, a “continha dos 70%” não serve pra todos os carros, ela é baseada na teoria de aproveitamento e rendimento de cada combustível. Mas cada carro aproveita melhor um combustível do que outro e essa conta deve ser feita da seguinte maneira:

1-encha um tanque com gasolina e rode normalmente pelo seu percurso diário. (por ex. ir e voltar do trabalho)
2-encha ele novamente com gasolina, preferencialmente no mesmo posto, bomba e da mesma forma (no 1º clique da bomba pressionando a mesma na metade do curso, por exemplo) e divida a quilometragem percorrida pela quantidade de combustível abastecido.
3-anote o valor do consumo. Espere este tanque chegar bem próximo do fim e o complete com álcool, para repetir o mesmo procedimento sem interferência considerável de gasolina no tanque.

Dá um certo trabalho mas você terá a proporção exata dividindo o consumo no álcool pelo da gasolina. Já vi alguns chegarem a 73,5% e outros a 54%…

Fiz as contas e tanto faz abastecer com um ou com outro. Qual é o melhor, afinal?

Depende do que você quer, e do clima também. A grosso modo, se busca autonomia, escolha Gasolina. Se quer desempenho e/ou menor índice de poluentes, etanol. Recomendo usar gasolina em dias e épocas frias, pela facilidade de partida e por ela esquentar o motor mais rapidamente, fazendo com que ele trabalhe na temperatura ideal (o que traz maior economia e menor desgaste do mesmo). Já em dias quentes, opto por etanol ou o mesmo misturado com gasolina, pelo desempenho e por exigir menos do sistema de arrefecimento, já que o etanol queima numa temperatura mais baixa.

Os primeiros abastecimentos devem ser com gasolina?

Não. Há quem diga que a Gasolina é menos agressiva que o etanol e por seu aspecto levemente oleoso, ela ajuda a manter válvulas, anéis e outros retentores lubrificados (o que é verdade) e que por isso é recomendável usá-la nos primeiros abastecimentos. Porém, fabricantes defendem que o veículo já sai de fábrica preparado para usar etanol durante toda sua vida útil e que isso não prejudica. Hoje vejo muito carro zero que já vem de fábrica abastecido com o derivado da cana, por ser mais barato, evidentemente.

Motor flex dura menos?

Mentira. Como um motor todo retrabalhado para trabalhar com etanol e gasolina, em que até mesmo suas peças sofreram modificações em sua fabricação para resistirem ainda mais à corrosão do nosso etanol, pode durar menos que um feito só para gasolina? Este mito tomou força depois dos problemas que ocorreram por uso prolongado de etanol, que será explicado na próxima questão.

O lado ruim do flex brasileiro, e algumas dicas

No início os flex proporcionaram uma grande economia pra muita gente, mesmo com o alto consumo dos primeiros motores. Época em que álcool não chegava a custar R$1 e a gasolina era mais de R$2 o litro. Hoje os tempos mudaram a ponto de quando o etanol é vantajoso, é por bem pouco. Acaba sendo uma questão pessoal: De um lado a questão ecológica e de maior desempenho do etanol, do outro, o menor índice de corrosão e maior autonomia da gasolina, muito bem vista em viagens. Mas mesmo com gasolina, os Flex acabam bebendo mais que os mesmos motores somente a gasolina. Onde já se viu, um motor 1.0 fazer 8Km/l no etanol e na cidade?! Enquanto muitos “flexes” são mais econômicos no álcool quando este custa entre 65 e 72% do preço da gasolina, num Ford CHT 1.6 da década de 80, a relação entre consumo da versão álcool e gasolina era de 83,7%! (11,49Km/l no álcool, 13,7 na gasolina)
Sei que eram motores específicos pra cada combustível, mas se passaram mais de 30 anos! De lá pra cá os motores evoluíram muito em potência específica, várias gerações de injeções eletrônicas passaram e mesmo assim um 1.0 de hoje não consegue ter consumo melhor que um 1.6 carburado de 30 anos atrás. Dizem que a solução seria um motor de taxa de compressão variável, mesmo assim tamanha discrepância é difícil de ser engolida.
Outro problema é que nosso álcool combustível já começou errado. Em sua fase experimental, nos anos 70, havia uma briga entre as montadoras e políticos, em que as primeiras defendiam que a melhor proporção de álcool na gasolina era de 15%, em todos os quesitos (custo, consumo, desempenho, durabilidade e não exigia adaptação nos carros mais antigos) e o governo já queria mais de 20%, o que demandaria adaptação nos carros que já existiam, além de render menos. Venceu o governo, que de vez em quando muda a porcentagem do etanol (novo nome para o mesmo combustível), de acordo com a safra. Hoje varia entre 18 e 26%.
Não vamos esquecer do tanquinho, considerado por muitos (inclusive eu) uma aberração de engenharia. Ele existe pelo álcool ‘puro’ (na verdade hidratado com um percentual de água) causar dificuldade de partida a frio, demanandando um reservatório pra gasolina dentro do cofre do motor e um sistema de injeção (manual ou eletrônica) de gasolina. Um circuito que além de perigoso é caro, tanto que o Civic e Fit flex possuem um bocal de abastecimento fora do motor, e o tanquinho fica escondido no lado direito inferior do paralama, por segurança. E gasolina tem validade, substitua a do tanquinho a cada 3 meses ou use gasolina Podium que dura um ano sem perder suas qualidades.
A solução encontrada em outros países foi de acrescentar 15% de gasolina ao etanol (E85), o que acabou com o problema de partida nos dias frios como também eliminou problemas com elevada corrosão e goma, comuns nos carros que rodam direto no álcool. Em locais ou estações realmente frias, o máximo permitido é entre 70 e 75% de etanol (E70 e E75).

As perguntas foram respondidas pelo consultor do site Autozine. E os carros total flex você encontra na RecreioBH

 
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2 Comments  comments 

2 Respostas

  1. Tenho um G4 power 1.6 ano 2008.
    Ontem fui verificar que o reservatório de gasolina, partida a frio estava seco e eu senti um “fedor de fio queimado e vi uma leve fumaça dentro do carro, do lado do volante vindo da direção, eu acho, dos fusíveis. Verifiquei todos os fusíveis mas, felizmente nenhum queimado.
    Caso a bomba tenha queimado isso compromete a partida do carro?
    Pq logo na primeira vez que dei partida, o motor fez “eim, eim, eim e eim e só quando pisei no acelerador ele pegou.
    O reservatório partida a frio influencia na partida?
    Eu até pensei que a bomba de combustível tinha queimado, mas girei a chave na ignição e ouvi o barulho da gasolina sendo jogada nos bicos injetores.

    • Olá kirk douglas. Não podemos fazer nenhum tipo de diagnostico sem estar com o carro aqui conosco. Seria irresponsabilidade nossa. Agende um horário em nossa oficina através do telefone (31) 3319-9114 e aí poderemos te ajudar.

      Obrigado.

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